segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O futuro dos livros para Lídia Jorge

         Lídia Jorge, em seu livro "Contrato Sentimental", atenta-se ao futuro de Portugal. No sexto capítulo, em específico, ela fala sobre livros e, consequentemente, sobre a leitura. A autora explicita, de início, a necessidade de se manter a cultura de se plantar árvores, não somente porque é uma necessidade do planeta, mas porque são elas que fazem surgir os livros, os livros de papel. A partir da identificação da tecnologia, ela contrapõe o livro vegetal com o livro digital, aquele que é um objeto tecnológico, que pretende substituir o papel. A ideia em si é maravilhosa, ter um objeto em que se possa carregar inúmeros livros sem precisar ficar com dores na coluna. Porém, ela acha que o livro vegetal, saído da árvore, não será substituído pelo “e-book” por esse não possuir características sensoriais própria do livro, por não disponibilizar uma leitura de qualidade. Mesmo o e-book aproximando-se, em relação à forma, do “livro clássico”, o primeiro, por sua vez, nunca substituirá o último, pois este tornou-se um instrumento indispensável que não precisa de aprimoramentos, como a tesoura, a faca. Contudo, ambos podem viver pacificamente no mesmo espaço.
                No texto, é destacada a importância do livro para a sociedade. Mesmo em crise, o livro é o caminho para a instrução, para a formação da personalidade individual, para a formação de gerações criativas e confiantes para enfrentar o mundo, o que é de extrema importância no desenvolvimento dos países, já que os mesmos dependem dos níveis de educação da sociedade. Essa crise, segundo a autora, está associada mais ao fato de haver menos leitores do que o próprio livro. Isso acaba gerando uma perda de habilidade de leitura, ou seja, quase uma desalfabetização do indivíduo do futuro, podendo ele regressar à comunicação visual, através de imagens. Na verdade ler exige esforço e para tal atividade é necessário que alguém estimule o indivíduo desinteressado, o que vai fazer ele tomar gosto pela leitura. Com esse gosto pela leitura o indivíduo abrirá sua mente e pensará por si próprio, ou seja, terá a liberdade de escolha. Talvez seja por isso que alguns países não priorizam a educação, por medo de uma sociedade mais instruída e revolta às indiferenças e imprudências de seus governantes.
                  A preocupação com o enorme número de divulgação é evidente. Publicar um livro é obter credibilidade, é questão de afirmação pessoa, até mesmo para se ganhar prestígio quanto a sua profissão. As próprias editoras estimulam a criação de novos livros por quererem atingir novos públicos. As pessoas sentem a necessidade de escrever, em meios cibernéticos, suas idéias como uma forma simbólica do livro, mesmo que o meio no qual escrevem seja imaterial. Há então um grande número de publicações e pouco número de leitores. Mas como o leitor saberá o que ler, já que em meio a tantas publicações, haverá muitas que tornam-se dispensáveis? Até mesmo devido às publicações e comercialização que cria um mundo Pop no intuito de atingir um número máximo de fãs, como é o caso da saga Crepúsculo. Esse problema deverá solucionado, segundo Lídia, a partir do modo de gerir, ou seja, deve-se ter um certo, haver critérios apurados na seleção da leitura.
                      O universo pop criado pelas editoras banaliza a função do escritor. Hoje em dia qualquer um pode escrever, até mesmo quem não domina a língua culta – afinal existe revisor para quê? Porém ainda assim existirão escritores que manterão a renovação da literatura. Ela acredita que o problema atual seja conseguir romper esse gosto dominante imposto pelo mundo editorial capitalista que vai ao oposto do que se pretende a literatura, que é justamente a capacidade de reflexão, de raciocínio na complexidade, de discernimento e entendimento das ambigüidades. Sendo assim, há uma carência de boas publicações por ser difícil passar por essas editoras obras poéticas que teoricamente não venderiam tanto quanto livros apelativos.
                     A literatura ocupa um lugar privilegiado, se comparado à cultura em geral que vive em desequilíbrio, em relação às forças políticas para o desenvolvimento da mesma. Ela acha que há políticas que valorizam a difusão do livro e que apostam neste setor a esperança de uma sociedade mais evoluída racionalmente.
Para finalizar, a autora retoma a guerra entre livros tecnológicos e livros de papel. Se antes ela achava que os livros de papel nunca acabariam, agora ela aceita a possibilidade de serem substituídos, num futuro longínquo, pelas novas tecnologias (e-book, por exemplo). Porém ela não se vê inserida nessa sociedade, ela não consegue se imaginar segurando um pedaço de “espelho” e lendo uma obra literária. Acredito que isso possa até acontecer, mas não será nem tão cedo.

(Resenha do capítulo 6 - Livros - de Contrato Sentimental, da autora portuguesa Lídia Jorge)
Por Victor Oliveira

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